Minhas portas já foram fechadas um dia, trancafiadas pela ignorância, pois eu desconhecia a chave da liberdade, que abriria cada elo das correntes e mostraria o caminho da verdade. Era tal qual uma casa sem brilho, sem luz e sem cor, mas pelas frestas do meu eu, sentia o cheiro do amor. Sentimento da compreensão, rodeava o meu lar, toques leves da razão querendo minha alma adentrar. Numa linda tarde de outono, estação de transição, ventos fortes levaram minhas folhas preparando a colheita do meu coração. No meu espelho alma, refleti-me como casa, dentro de mim encontrei a chave, o raciocínio que borda nossas asas.

Nos faz ampliar a visão, e ver as coisas como realmente elas são. Mesmo passando pelo inverno, minha casa estava aquecida, pois acendi em meu interno a chama perene da vida. O raio de luz foi adentrando e aos poucos o ambiente iluminando, a sabedoria crescendo e a escuridão se rompendo. Abri as portas do entendimento para o essencial poder enxergar, a razão da nossa existência, que a cada dia faz minha tenda ampliar. É com grande prazer que os convido a me visitarem, vamos sentar e conversar, pois temos tanta sabedoria a desbravar. O clima é favorável, e os alimentos são celestiais, vamos somar nossas luzes, trilhando a vereda racional. Tenho junto de mim um companheiro inseparável, que sempre foi meu abrigo, nas grandes chuvas e tempestades. A base firme da minha casa, que não deixa nada me abalar, que amansa minha imensidão e acalma as águas do meu mar.

Por Michele Mi