O perigo ronda a beira

Um passo de cada vez, mas tão próximo da queda, a roda viva abriga o perigo, e tudo o que lhe rodeia assopra o desejo proibido, “pule”, dizem, “pule que não sentirá a queda”, mas quem teria o poder de amortecer o chão frio? Certamente pereceria, certamente se perderia em si e se esqueceria no […]

Deixar ruir

O sentimento vazio de não pertencer, buscar compreensão e não encontrar, olhos perdidos em um mar de informações, e desta forma o silêncio recai sobre o tolo, por não haver som, visão, por não haver o que é próprio do coração. Muito se falam da compreensão, mas não conhecem sua hermenêutica, os ensinamentos celestes ficaram […]

Sonhos vazios

Fechava os olhos e o que tinha era escuridão, abria-os, mas desta mesma forma permanecia, buscava nos becos seu alento, buscava nos sonhos a cura dos tormentos. Para onde vão os passos seguintes? Nem mesmo ele sabia, sua história era tão sem vida, que saída, não mais havia. Uma roda gigante parada no tempo, um […]

Sentimentos silenciosos

Quando o riso vai dando lugar ao silêncio, quando o brilho vai se ofuscando, quando as pétalas vão caindo, quando parece estranho, mas ao mesmo tempo tão conhecido, um sentimento calado, mas que grita por ouvidos. Aquilo que deixamos quieto, aquilo que não queremos mexer, aquilo que convivemos e muitas vezes esquecemos, apenas por não […]

A história de um mentiroso

Não olhe muito perto, não olhe demais, uma história com vários inícios, uma história com vários finais. O conto de um mentiroso, expande as alegrias e duplica os ais, nunca se encontra, sempre perdido, perdeu-se nas contas, o mesmo resultado, cálculos infinitos. Já não reconhece seu reflexo, já não se vê em suas histórias, tercerizou-se, […]

Sossego do coração

Sossega coração, aquieta sua confusão, sossega alma, traga a paz e abrace a calma, tudo isto com os olhos fechados, mas com a sabedoria acordada, no silêncio das angústias e no acalento das madrugadas. Só se encontra no interno, no reflexo de seus olhos, ali está o sentimento terno, a cura para o opróbrio, é […]

Retrato da liberdade

Se a liberdade falasse, não seria compreendida por vozes, mas sons, variados, ricos, afinados, todos eles se uniriam e formariam um. Se a liberdade possuísse corpo, certamente não teria tez, mas formas, abstratas, reais, sentidas, com cores, planícies e montanhas, com infinitos azuis e mergulhada em constelações. A liberdade seria o todo e tudo teria […]

Aos olhos de quem vê

O frio beijou minhas bochechas, não para trazer frieza, mas para colorir os galhos com as cores dos ipês, eu senti sua voz me avisando que não é falta, são os olhos de quem vê, caso nada tiver, nada terá graça, mesmo olhando atentamente, a cegueira permeia e enlaça. São as quatro paredes, prendem, coíbem, […]

Carícia do vento

O calor do sol tocou minha pele, lembrando-me que sua luz ainda paira por aqui, levou-me ao céu com seu esplendor, mostrou-me o que viria ao porvir. A liberdade é fascinante, a liberdade é viciante, poucos conhecem sua tez, mesmo todos tendo a semente, mesmo que todos acham que a sente, poucos a tem. Uma […]

Coisas pequenas

O degradê que contornam os galhos, o rosa nas nuvens brancas, o verde vivo das plantas, horizonte cheio de cores, a liberdade dos passarinhos, o canto dos ponteiros silenciados, a pausa do dia, início de um caminho calmo. Vento que valsa pelo campo, brinca com as plantações e refrescam as árvores, raios que adentram as […]