Vagueando pelo deserto

O deserto engole o dia são, quarenta anos distintos para cada um, os céus não esperam a determinação, o solo se alimenta dos corpos deixados pelo tempo. Vagueando pelo deserto vi e ouvi muitas coisas, se verídicas ou miragens, ainda não me decidi, mas sei que muitas delas meu paladar não clamava por água, e […]

Oceano furioso

Há forma de águas salgadas que escorrem do coração serem calmas? Nesta confusão taciturna a tempestade abraça, e as falas insanas se agitam em ondas furiosas, as mãos que pedem por socorro são esmagadas, e quem já não encontrava determinação se afunda na escuridão. As águas se fizeram correntes, e ao proferi-las ficam cada vez […]

Falta-me ar

Viver, não entendia sua forma, seu encaixe, suas normas, no raso cantarolava sua essência, é incrível, dizia, para quem estava na areia, sentir as ondas afagarem os pés, a brisa nos cabelos, a maresia no ar, é incrível, mas raso, era grandioso para quem havia começado. Hoje eu olho para a beira e já entendi, […]

Quanto vale sua alma? XII

Não se estima em matéria, prata, ouro ou diamante, não é palpável, entretanto valiosa, é de graça, mas muito cara, não é rara, porém única, por ser singular torno-me ímpar, mas não quer dizer que não tenho par. Passei os dedos pelo vidro frio, toquei os olhos de meu coração, seu palpitar solfejou a dúvida, […]

Introspecção XII

Eu caí, no abissal de meu coração, senti as águas, abraçaram minha imensidão, imersa no vasto eu, quem sou e quem deixei de ser, e o caminho que ainda devo percorrer. O silêncio às vezes soa muito alto, como uma lembrança viva querendo fluir, a mentira murcha cedo na mente que quer florir. Espelho quebrado […]

O caminho das pedras

Árvore seca, raiz rasa, por aqui não encontro minha casa, aqui embaixo, submersa, minha vista é limitada, não há luz, não há fresta, como encontrarei o caminho das pedras? Uma promessa, para tantos uma fábula, mas onde ninguém alcança o solo abraça o céu, e o céu minhas asas, a pequenez das mentes vazias contentam-se […]

Tsunami temporal

O tempo não proseia, não se enlaça, não fica, como uma brisa indecifrável que acaricia a tez e passa, o tempo não sabe para o que é, mas algo o tomou para si, ele valsa pelo infinito traçando histórias que nascem e logo depois vem a ruir, se o tempo pensasse ele não entenderia os […]

Consciência sã XII

A flor descobriu-se em tempo primaveril, coloriu o campo ao desabrochar como um belo raio de sol, pétalas estelares, vivas e não fugazes, seu tempo não se estima, eternidade abraçou caule. Beija-flor paira sobre ela, flor casta, flor bela, beija-flor que enriquece a tela, beija o solo e abençoa a terra, beija-flor que beijou suave, […]

Lavei as minhas mãos XIV

Concedeu a vida para os braços da morte, como se suas correntes pudessem prende-la, lavou as mãos para expurgar a culpa, como se pudesse lavar suas escolhas. Martelo ditou o destino, ruiu o chão com a corda no pescoço, faltou-lhe ar para revogar seu mandamento, e quando viu a morte abraçou a si e a […]

De zero a cem

O desejo da alma canta em seus passos, voando e entrelaçando suas escolhas, quem muito quer mergulha em tempestade, não tem medo das ondas que carregam a verdade, o precipício abraça sua queda, e por querer seu sorriso se expande em seu coração, qual o querer de sua alma? O ato de conhecer-se ilumina abissal, […]