Tal qual um barquinho errante, a navegar sem rumo certo, sendo levado pelas correntes que o empurravam mar adentro rumo as mais densas, escuras, agitadas e profundas águas, assim era a minha vida. Longe do ancoradouro e a mercê de terríveis tempestades. E cada encontro com as violentas ondas lhe causava rachaduras quase irremediáveis. Perdido e errante, embora cresse estar navegando na rota certa, achava que o mar mesmo bravio, lhe favorecia. Até que em meio as agruras de seu triste destino rumo ao vazio, encontrou seu tino e entregou seu leme nas mãos do destro comandante, sábio conhecedor de águas tranquilas. Mas durante o percurso é preciso desfazer-se dos pesos acumulados, desnecessários ao navegar. Pois para atracar no porto eterno tem-se que estar leve, puro, firme na âncora e certo de que a viagem se dará na vida eterna e infinda!

Por Loir Xavier