E como tela, tenho inúmeros borrões! Escuros, feios e frios causados por querer eu mesma pintar ao léu meu próprio quadro. Fui jogando as cores mais cinzentas de forma aleatória pensando estar formando uma bela paisagem. Mas, isso foi em um tempo que eu ainda não enxergava e tão pouco sentia o meu exímio pintor. Hoje, não tenho como cobrir tais borrões, provocados pela ignorância, insensatez e desobediência. Porém, já não mais conduzo o pincel que me colore. Em cada traço e a cada pincelada acentua-se as cores vivas e brilhantes da vida. Tais cores são colocadas uma a uma, sem sombreamento, pois o brilho da luz é dominante. Minha tela está sendo pintada com maestria e excelência e os borrões aos poucos vão deixando de serem notados, pois o que agora está em evidência é a bela paisagem que está aparecendo.

Por Loir Xavier