Em um caminho obscuro
Meus pés não sentiam o chão
Tão arraigada a este mundo
Minha cela era escuridão

O sangrar escorria pelos olhos
E não era sobre a mortificação
Era minha segunda morte por meus opróbrios
Minha própria destruição

O passado não é lugar de permanência
Sinto isto profundamente
E é por isto que não há desistência
E luto pela vida incessantemente

Não sei como
Mas sei que vou
Vou ao meu encontro
Libertar é o que me restou

A confiança é fundamental
E trago-a em meu peito apertado
Isto me é essencial
Para que eu possa atravessar ao outro lado

É a minha vida vivida
Ainda bem que ninguém está no meu lugar
Porém em contra partida
Só eu sei o valor do meu libertar

Os resquícios estilhaçados
Não quero e nem vou juntá-los
Já se diz que passado é passado
Nada do que esteve lá precisa então ser lembrado

É preciso viver nova pessoa
E a culpa será enterrada
Umedecer-se da eterna garoa
E por ela ficar enxarcada

Sentir-se alma lavada
Pura em brancura
Ser nova, imensa morada
Sobrenome eterno em gravura

Alto relevo a ser lido
Dentro do coração
Novos escritos em meu livro
Nova sintetização

Uma literatura biográfica
De um novo ser estabelecido
Onde a história de uma lágrima
Virá junto a um sorriso

A minha sorte
É que encontrei o amor
Para que nunca mais eu volte
Àquilo que trouxe-me dor

Por Patricia Campos