Dentre idas e vindas
O mar esconde segredos
Em noites, frias, sombrias
Ouve-se uivos dos ventos

As estrelas o acompanham
Para não sentir-se tão só
Às vezes o cais traz remanso
Outras, sonora em dó

A lua permeia o farol
Na tentativa de ilusionar
De tanto invejar o sol
Entristecida achega-se ao mar

O dia vem
E ela se vai
Torna refém
Pra quem não tem luz, tanto faz

Ponteiros em rotação
E a noite veio abraçar
O farol entra em ação
Ele não pode parar

Gira em silêncio
Toca o maior raio de atuação possível
Na tentativa de iluminar por dentro
O olhar escurecido

Não teme as ondas enfurecidas
Dantes, enfrenta-as com sua luz
A dor só é esquecida
Quando o farol no imo reluz

Pode vir tempestade
Pode a canoa virar
O ímpeto da adversidade
Aos sábios faz lumiar

E ali ele segue
Iluminando o mar
E ali ele permanece
No silêncio tenta gritar

Quer acordar os navegantes
Para não afundarem
De seus oceanos ofegantes
Que os fazem afogarem

Por Patricia C.