Era lagarta rastejante
Umbigo encostado ao chão
E ao olhar o céu via algo intrigante
O poder do infinito através do coração

Invejava as borboletas
Não sabia que podia metamorfosear
Seu caminhar entre as violetas
À inspirava ao transformar

Desejava então ter asas
E poder passear por entre as nuvens
Libertar-se de sua mera casca
E viajar junto aos vaga-lumes

Sentia-se refém do engano
Queria tanto encontrar-se com a verdade
Adentrou-se e arquitetou um belo plano
Na intenção de que pudesse libertar-se

Viu que a única maneira
Era derreter-se em crisol
Esta seria a forma mais pura e verdadeira
De ver-se espelho refletindo o seu ser sol

Não temeu
Derreteu
Sim, doeu
Mas renovou-se o seu infindo eu

Um processo doloroso
Arrancar-se desta casca
Algo tremendo e grandioso
Pintou em aquarela suas asas

A verdade refletida
À sopa que ferveu seu imo
Deixou-a tão colorida
E traçou no interno seu destino

Agora não mais ao chão
Voando entre os girassóis
Quem diria este humilde coração
Suscitaria de si águas e seus lençóis

Transformou-se em borboleta
A verdade e suas asas
Dantes lagarta branca e preta
Ganhastes multicores pinceladas

Por Patricia Campos