Poesia: “Abra sua casa”

Fechou-se em seu mundinho
Julgando ser único
A razão saiu de fininho
E a escuridão veio de súbito

Sim,
Foi assim que aconteceu
Sua bolha era seu fim
Aberta estava ao seu breu

Seu lar sem música
Sem notas e sem tom
Escarlata era sua túnica
E vermelho era seu batom

A única cor que tinha
Naquela casa vazia
O sol não refletia
Deixava-a tão sombria

E era estranho
O toque constante em sua porta
Arregalava seus olhos castanhos
Mas mantinha tudo o que tinha lá fora

Fora de si
Fora de sentir
Um dia iria partir
E a casa não haveria o porquê de existir

Ficaria sozinha
Tristinha
Perdida sem pó e sem vida
Seria uma florzinha
Caidinha
Sem pétalas, fraca, murchinha

De que adianta
Ser habitação de areia?
Os ventos adentram as frestas
Arrastam toda a poeira
E ela esvai,
E em qualquer canto cai

Então lembre-se
Da tolice que a fez fechar-se
De soslaio ao anjo olhaste
Quiçá o reverberaste

Dantes não o olhasse com meneio
Ouvisse o seu batucar
Abrindo-lhe ao forasteiro
Para com ele voar

Tornando-se casa da árvore
Residência na eternidade
Que por sua janela aflore
A semente da alacridade

Patricia C.