Vida sofrida
Dores vividas
Noites aflitas
Enquanto aguardava a própria despedida

Quero vencer não só meus medos
Nem desejar o pó em desespero
Esta aflição em acervo
O tempo não é brinquedo

Ele impõe suas regras
E a coleira das rédeas
No chão a sombra da cela
Marcada pela luz que adentra minhas frestas

Não dá para permanecer intácta
Sem fazer nada
Senão sobrará o nada
E uma alma aprisionada

Não!
Isto não
O acrisolar é refrão
Dentro da levedação

Meu lagar
Quero em mar transformar-me
Não pelo salgar
Mas pelas águas que hão de pairar-me

Em quantidade
Com qualidade
Espelhar à beira a verdade
E transbordar alacridade

E o abraço dos meus cílios
Faz-me voar em juízo
Aconselha-me o tino
Tende bom ânimo!
E então reflito

Era para eu estar tão longe
Se tivesse ficado lá atrás
A sensibilidade trouxe-me
O gosto do que é ter cais

Provei, gostei
Provou-me, e aqui estou!
Não desistirei, permanecerei
Eu vou, Eu sou

Por Patricia C.