Adoeceu e já faz um bom tempo, a bulimia a corroeu, e seu semblante voava ao vento. Um olhar perdido, um pensamento longínquo, um imo desfalecido, escorrendo seu mar tão sofrido. Porque ficara franzina ó alma, porque não alimentou-se?

Ficaste enfraquecida, de fato não acautelou-se. Era para fortalecer-te de todo amor incontido, no entanto reduziu-te à poeira do teu interno finito. Não encontrou o chão, sentiu sua base inconstante, limitou o seu coração a viver de pequenos instantes. Ó alma vejo-te tão raquítica, pele e ossos a mostra, que situação crítica. Vejo a fundura em seu olhar, demonstrando a sua fome, sua cratera mar, que o teu interno consome.


E agora o que sabes fazer é clamar por migalhas de amor, mas sinto-te fenecer, e ouço seus gritos de dor. Mesmo que em silêncio, seus olhos pedem socorro, quem sabe eu ainda a convenço de arrancar-te tamanhos abrolhos. Não há estímulo, muito menos ânimo, seu peito triste e aflito, conversa com o seu pânico. Tua consumação, demonstra a tua magreza, não a vejo ter reação, estás feito peso pena, não comparada a leveza, mas a falta lhe trouxe o pesar, é muito triste esta cena, ver sua alma morrer sem ser lar.

Por Patricia Campos