Brotou-se a inquietação
Sofrer por si mesmo
Ansiou por compreensão
Sua dor é maior que seu medo

Debateu-se
Feito a morte do cisne
Ao tentar reverter
Na mente passa um filme

Na busca de um final feliz
Onde a manhã se apresenta
Do jeito que sempre quis
E o sol, em melanina deixa-a mais amena

Nem sempre é assim,
Quase nunca é assim
O debater é sem fim
É pólvora e estopim

A dor permanece
O imo desfalece
É água que desce
E a alma entorpece

E o coração que bate ao lado
Com olhos arregalados
Sente o sofrimento infiltrado
E em angústia, sofre calado

Quer trazer para si
A dor sentida por quem ama
Sem dimensão remoe-se, enfim
Pelo sofrer daquele que clama

Não pode pôr sua mão
Na tentativa de ajudar
Debulha-se em emoção
Escorrendo rios do olhar

A ansiedade vem de dentro
E a angústia vem de fora
A ansiedade é seu sofrimento
E a angústia, é a ansiedade do outro que lhe aflora

Não há o que ser feito
E a angústia cresce por não ter como mudar
Compaixão sente em seu peito
Mas não há como isto alterar

A sua ansiedade
Pode ser a angústia de outrem
De igual valor, há reciprocidade
Não anseie pelo que não convém

Por Patricia C.