Suas paredes são flagelos
Um cubo de tristes martírios
O consolar não parece remédio
E não há fim ao suplício

A amargura destrói
A agonia corrói
E isso corrompe e dói
Demasiadamente dói

Ficara traumatizado
Pelo peso do ombro alheio
Estás exacerbado
E a liberdade fugiu como argueiro

Mesmo tendo-a às mãos
Não faz questão de alcancá-la
Levante-se ó coração
Não sinta-se alma amarga

A inquietação sussurra
E talvez seja a única voz que ouça
A desolação é fagulha
Que atea fogo na própria roupa

Deixa-se nu
E não há quem possa o vestir
A verdade é um alimento que se come cru
E ao degustá-la põe-se como espelho a refletir

Um aperto que aperta o peito
Um gatilho contra si mesmo
Não há o que possa ser feito
Senão transformar seu sujeito

E não é da janela para fora
E sim da porta para dentro
É a própria alma que assola
E embrasa os seus sofrimentos

Como uma faísca incansável
Que não pode-se apagar
O amor não é contestado
E é por ele que se encontra o clamar

O pedido de liberdade
Que derruba os muros da dor
Somente diante à verdade
Construímo-nos pelo amor

Por Patricia C.