A sapiência abriu sua boca
Com argumentos explícitos
Por vezes da forma mais louca
Num tom cantado solícito

Quer tirar-te do vício
Dos teus atos ilícitos
Do teu boçal incontido
És tu teu próprio inimigo

A invejosa tolice
Entoa com falsa meiguice
Aos teus ouvidos insiste
Que não há bem que persiste

É a fala da serpente
Que vem bem lentamente
Farsa, pertinente
Ela mente a tua mente

Você precisa ser forte
Não contar com a sorte
Ao mal tem que dar corte
Senão ele o leva a morte

É tão engraçado
Mas é tão verdadeiro
As borboletas sempre me dão um abraço
Ensinando-me metamorfosear por dentro

É uma fala rouca
Que sussurra em meus ouvidos
É doce feito mel à boca
Mortificando meu narcisismo

O centro não é o barro
Este é pisado ao chão
O que meu céu tem guardado
É o renovar do meu coração

E isto guardo comigo
E divido com quem quiser
O amor faz todo sentido
Quando é pétala de bem-me-quer

É, a sapiência abriu mesmo sua boca
Com mais um argumento explícito
Por mais que seja de uma forma louca
Ela fala para sermos solícitos

Por Patricia Campos