Ó chuva bendita, venha regar as terras, a sabedoria que irriga, fazendo brotar flores belas. O céu derramou sua chuva temporã, para a preparação dos campos, brotaram os pés de hortelã, que refrescam os imos brandos. Alegoria que traz entendimento, a água e sua valia, lavando as almas por dentro, parábola que me fascina. A água é a palavra, que quando penetra limpa-nos de todo engano, esvanece em nós as falhas e nos liberta, transpassando-nos a outro plano.

Tem que ser compreendida, minuciosamente ouvida, no âmago sutilmente sentida, por ela se curam feridas. Bem se diz que amolece até pedra, de pingar perfura o imo, sábia é a alma que vela, até que suscite o filho, que nasce pra vida eterna, que habita na alma singela, que busca a nova era, banhando-se da água interna.

Ó chuva serôdia, molhe-me noite e dia, lava-me com a tua alegria, tira-me a impureza que não é minha. Venha molhar minha primavera, até florescer-me em amor, caia sobre minha caravela, transformando meu convés em flor. Não importa quando vens, o importante é te sentir, tuas gotas fazem tão bem, não deixa-me desistir. És refresco para as almas, e ânimo aos corações, seu som suave acalma, transborda o imo em canções. Um gotejar divino, uma espada de dois gumes, separa o sentimento do tino, nos faz brilhar feito lumes.

Por Patricia Campos