As folhas dançavam com o vento, e os pássaros brincavam entre as nuvens, ao fundo o catavento, e o rio discorria acariciando as margens. Tudo ao natural, como sempre foi…O beija flor beijando a flor, uma troca de carinho, é a prova de amor, obediência é o caminho. Tudo ao natural, como sempre foi…
Lá pelas tantas, nasce a criança, e com ela a esperança, é somente mais uma infância. Cresce, produz seu fruto agreste, a consciência que tece e com a existência que vê, interte-se. Dentro dela, tudo se manifesta, as folhas ao vento, os pássaros, as nuvens, o catavento o rio e suas margens, é o ciclo natural, o espelhar…
Agora seria a hora de amar-se, apossar-se da compreensão, descobrir-se, mergulhar-se, descolar-se da criação. Ser invadida de percepção, enxergar o cair do pó, desviar-se da ilusão, retirar-se do tempo atroz.
Deveria ser assim, seria o ciclo natural, mas a haste será o seu fim, escurecer-se será fatal. Como não sentiu a vida? Seu movimentar é a prova, andaste tão distraída, cavando sua profunda cova. Em suma, a obediência é tornar-se em eterno ser, refletir-se em vida, mas ficaste como a lua, sem luz própria, minguada, caída.
Quiçá o amor se achegasse a ponto de valorizar o que realmente possui valor, que seu fruto do pé desligasse, colocando-se nas mãos do Agricultor, o qual plantou-lhe em sabedoria, e regou-lhe em discernimento, mas não bebeu de sua água esta vinha, e em secura brotou-se em lamentos. Se seguisse o ciclo natural, seria colhido para o proveito, fruto lar divinal, concluindo assim Seu intento. Seria como os rios que correm para o mar, no ponto onde suas águas se encontram, na completude do amar, eterno, em outro plano. Tornaria-se lugar onde o espírito moraria, alma infinito lar, essência da simetria.

Patricia C.