Feche a porta
Encontre-se com o silêncio
Enquanto o tempo dá volta
Fique em confinamento

Escute a quietude
Ela tem muito a dizer
Não são sobre virtudes
Mas do que é preciso esvanecer

É muito bom ficar só
E interpretar-se
Desatar cada nó
Até que venha libertar-se

Os medos querem falar
Mas só tu pode o calar
Por ordem neste seu lar
Para que aprendas a amar

Os sons da Terra
Não trazem calmaria
São como cão em guerra
Ladram em balas perdidas

Há receio em retirar-se
Vêm à mente um filme triste dantes esquecido
Necessário é adentrar-se
Desnudar o esconderijo

Tornar-se livro aberto
Para que todos possam ler-te
Arrancar o que esteve encoberto
E ao céu ter olhar de flerte

Para alçar a liberdade
Deve banhar-se em alva
Revestir-se da verdade
Confinados na casa alma

Não temas vá para dentro
Ouça tudo o que for preciso
Não seja um livro sem contexto
Grafe amor no seu peito infinito

Aprende aquele que quer
Que enfrenta todas as dores
Que traz à alma o bem-me-quer
Florescendo o broto infindo de amores

Por Patricia Campos