Dantes desacreditada, de mim, do sentir, do meu próprio fim. Desvairada pelas noites frias, nem o vinho me aquecia, minha alma faminta e a dor da fome era tudo o que eu tinha. Raquítica de sabedoria, afastava-me cada vez mais da vida. Os ponteiros rodavam e o peito apertava, era falta de amor, amor próprio, um coração tanto quanto sórdido. Parecia não haver o que fazer, tal qual um doente em coma, sem esperança da volta, alimentada por sonda. Gotas pingavam meu imo, lugar escuro e sombrio e a voz do céu ecoava dentro da minha caverna. Continuamente elas vinham lavar-me, mesmo que eu não as valorizasse. Não sei o porquê não houve desistência da parte de Deus, por este meu coração breu, o qual entristecia-se pelo caminho que escolhia. A Terra deu muitas voltas em torno do sol, enquanto meu peito em kaol, tentando arrancar suas nódoas, as quais amoleciam-se diante à verdade, meus olhos caíam ao deparar-me em vaidade, tropecei, perdi-me, derrubei-me, o que fiz a minha cidade? Ó minha alma, tolice tamanha a minha, porque não amei minha vida, e saí por aí tão perdida? Senti o peso do pó, de mim mesma senti dó. Não podia desistir, só acaba quando chega o fim, busquei forças e emergi, o amor que ainda estava aqui.
Acendeu-me luz divina, transbordou-me alegria, tudo mudou, fez-me rima, meu olhar refletia vida.
É inescusável seu propósito, ó Deus dos céus, quis tirar-me do banco dos réus, mostrou-me Tua existência, um caminho lógico, a prudência que exala toda Tua ciência, um sentido reto, Teu espírito, Tua essência. Isto não é privilégio meu, apesar de sentir-me privilegiada, não fazes acepção com os Seus, que cuidam-se para Ti, Suas almas. Mudei meu olhar, mudei minha visão, o meu transformar entreguei em suas mãos. Hoje meus olhos remetem-lhe, porque o sinto, em cada cantinho de mim, ao redor, nas flores e suas vestes nas delicadas pétalas de jasmins. Nas falas aleatórias, nas circunstâncias da minha história, envolto à minha alma, sinto-me em sua palma. No canto dos passarinhos, na sabedoria de formarem seus ninhos, nas estrelas que cintilam, em meus batimentos cardíacos. Eu o ouço ó Senhor pelo silêncio e o sinto, pelos meus sonhos o encontro, e em meus pensamentos reflito: Houve sim arrependimento e por isto o pranto derramei, não há lugar para lamento, elegi o senhor o meu Rei!

Por Patricia C.