Olha só como estou
Mergulhada em mar
O lacrimejar derramou
E não sei por qual caminho andar

Vesti-me de ilusão
Fui arrastada pela ventania
Agora o meu coração
Não sabe o que é ter alegria

Não conheço-me mais
Na verdade, nunca me conheci
Foram tantos os vendavais
E por todo este tempo dormi

Ainda não acordei deste meu pesadelo
E a noite parece alongar-se
Quiçá o céu dar-me-ia um conselho
E de minhas correntes pudesse soltar-me

A aflição é música de única nota
Dó tocado repetidamente
O tempo de criança não volta
E o fogo queima-me continuamente

Meu olhar perdido
Eu, coração aflito
Um tempo sem sentido
E um caminho sem destino

Meu clamar parece mudo
Meus gritos no silêncio, apenas eu que os ouço
Tudo parece confuso
Afogo-me em mil soluços

São as únicas gotas que sinto
E minha sede não pode matar
O salgar traz-me prejuízo
E eu clamo pelo libertar

Será que ainda há tempo
Para alçar a minha paz?
Somente pelo entendimento
Qualquer coração é capaz

Hei de confinar-me
Deixarei o mundo lá fora
É preciso metamorfosear-me
Antes que o mesmo me afogue

As aparências enganam
A ponto de enganar-me
Só desvencilha do estado insano
Aquele que fato amar-se

E para isto será necessário
Reconhecer a luz que habita em mim
Senão, caso contrário
Muito triste será o meu fim

Por Patricia Campos