Parecia um leopardo correndo atrás de sua presa, veloz em questão de passos, querendo tornar-se nada com tamanha pressa. Uma corrida sem fim, sem pensar o lugar que iria chegar, sem tempo até de arguir, sem hora para parar.
Mas uma hora há de frear-se, logo ali no seu abismo, mas quando vê, já foi, é tarde, cai sem freio ao precipício. Uma queda desenfreada, tal qual a sua corrida, uniu-se apenas ao nada, e agora? Uma eternidade sofrida. É preciso avaliar o caminho, saber onde seu fim dará, as rosas são belas mas sempre terão espinhos, se não souber onde pegar é óbvio que hão de sangrar. No começo avaliou o espaço campo aberto não o fez parar, do outro lado um caminho apertado, neste, não quis entrar. É assim, sempre foi assim, avaliadores indoutos, um dia verão o seu fim, e preso será quem um dia foi solto. A eternidade para muitos é uma incógnita, seria importante chegar à verdade, antes que feche sua porta. E, se esta fechar-se, só terá abertura ao breu, por isto agora é a hora de atentar-se, sair do atalho onde se perdeu. Correr sem destino, não é uma boa idéia, melhor andar devagarinho e ir sentido a vida eterna.
Não podemos andar como que pisando em ovos, uma hora iremos acordar e passará um filme de tudo quanto é opróbrio. O tempo de despertar é o hoje, e devemos sim correr, àquele que ao céu ouve, compreende como discorrer. A nossa corrida em parábola deve ser como o sêmen que corre ao óvulo, não apenas como metáfora, mas pelo raciocínio lógico. Só adentraremos ao céu se realmente nascermos lá, é preciso desnudar desta carne véu e o filho de Deus em nós gerar. A nossa parte é nos relacionarmos com o espírito da vida, isto sim é arte, desvendar cada ponto deste enigma. Ele já está em nós aguardando o nosso reconhecimento, na consciência se desfaz todo e qualquer nó, e nos alinha ao entendimento. Há de haver cautela, minucioso olhar, nesta corrida só vence quem reverbera, que corre para se encontrar.

Por Patricia Campos