Ó vento
Traga-me água
Para regar este meu peito
E mergulhar a minha alma

Caia devagar
Tornando-me sensível
Meu imo transforma em mar
Teu endereço assíduo

O crepúsculo umedecido
Pelas lágrimas da esperança
Um desígnio compreendido
Pelos olhos da criança

Afim de transformar
A eternidade em ser
Enlaçar ao amar
Quando em si amanhecer

Ser farol
Pairar no céu estrela Lume
Ser sol para o girassol
E a luz de qualquer vagalume

Refresca-me ó água leve
Deixe-me sentir seu gotejar
Afraque minha terra agreste
Até que eu venha brotar

Rios saem por minha boca
Às terras a refrescar
Tornando-as em almas soltas
Livres para voar

Seu crepúsculo interno
Está para nascer
Meta é amar a fase do eterno
Metamorfose do ser

Ouço seu som pingar
Sua garoa fina
Faz o meu imo estelar
Astro que abrilhanta a vida

Por Patricia Campos