Não bastava ser dia
Era escurecida
Alma triste e vazia
Eclipse da lua faminta

Lá fora
Havia clarão
Mas o interno
Era escuridão

Luz difusa
Era tudo o que tinha
Tão confusa
Ela adormecia

Sempre parecia-lhe noite
No peito a corda e o açoite
Não via liga, não via ponte
E a vida lhe acenava de longe

Sonhava em ser lume
Invejava os vaga-lumes
Não elevou-se ao cume
Não há remédio que à cure

Também pudera
Vivia buscando quimeras
Por isto seu dia era treva
Lugar que não reverbera

Caminhava tão só
Ao som de uma nota em dó
Na garganta parecia um nó
Tudo porque era pó

Quiçá retrocedesse
E seu caminho revertesse
Talvez a luz lhe acendesse
E suas águas não conseguisse conter-se

Seria sim outra face
Sorriso bobo sem disfarce
Seu céu interno em enlace
Se em dia pudesse firmar-se

Este é o verdadeiro amor
O desejo de que todos sejam dia
É preciso então dar valor
E acender-se enquanto tens vida

Por Patricia Campos