Um dia banhei-me em águas rasas
Nos mares deste mundo
O tempo fez-me mergulhar em águas alvas
E adentrei-me em seu profundo

O conhecimento humano
Nunca fisgou-me
Mas aprender sobre outro plano
Este sim rasgou-me

De fora a fora
Até que ficasse nua
Então vi-me porta
Para dentro e não para a rua

Avistei um caminho
A vida em outra estação
Lugar onde não haverá espinhos
E eu serei parte de uma constelação

A qual tem forma de um corpo
Indefinido a olho nu
E isto não é um sonho
Mas o começo do meu azul

Tornar-me-ei infinda
Em novos céus com minha nova terra
Alinhada e favorita
Vitoriosa da minha guerra

Me foi um prazer
Banhar-me em profundas águas
Que ao lavar-me perfez
Transformando-me fonte clara

As águas celestes me rodearam
Fazendo com que eu virasse ilha
Meus pedaços que contemplaram
Unidos feito família

A compreensão inundou
Arrastando todo o engano
Meus vidros então derramou
Pelo amor que eu vi em outro plano

De que vale a sabedoria
Se esta não for pela vida?
De que vale qualquer alegria
Se o amanhã para ti não for dia?

Por Patricia Campos