Decaiu em pressão
Violência interna
Sangrou o coração
Seu campo de guerra

Olhos em escarlata
Retratam a dor da insônia
Cortes sem navalha
Ondas do mal que sondam

Erva daninha que brota
Em terra de ninguém
Sua alma envolta
Sem forças segue refém

Olhar vira mar
Quem dera pudesse amar-se
Sem forças pra levantar
Não consegue desatar-se

Busca a saída
Em seu labirinto
Distante da vida
Precipício de martírio

Clama misericórdia
Quem sabe alguém lhe ouça?
Mente em discórdia
E ao fundo sua voz rouca

Ainda há quem queira salvar
Por remédio à boca
Falta-lhe impulso para acordar
Quiçá pudesse ser solta

Há cura
É preciso acreditar
A coisa é nua e crua
O verbo é reverberar

Há uma luz no fim do seu túnel
Levante a cabeça para enxerga-la
Nunca foi e nem és um inútil
Só tu poderás salva-la

Mesmo que seus pés se cansem
Nesta areia movediça
Solte sua voz e cante
Por sua liberdade infinda

Por Patricia C.