Veio, fez, e voltou inteiro. Uma história linda à contar, a caminhada de um aventureiro, que aprendeu a amar. Não de forma pequena apegando-se a coisas vãs, mas da forma mais verdadeira, onde o fruto não é a maçã, mas a tua própria consciência, percebeu a falha na apropriação, e com muita inteligência entregou o seu coração. Era isto o correto a fazer, seu coração não era seu, algo difícil de compreender, mas ele sim, compreendeu. De que valeria ter seu domínio, como que se pertencesse a si mesmo, se logo ali a frente encontrar-se-ia vazio, com um abismo afundado no peito? De fato percebeu que sua completude não tratava-se do pó que desfalece, sua maior virtude, a humildade que sempre prevalece. Viu dentro de si o braço do céu estendido, o refresco do seu deserto, sentiu seu coração partido e precisava fazer o conserto. Não queria ser metade, e sim preencher-se do que é perene, recebeu em si a alacridade e despiu-se do que era solene.

Acolheu a paz em seu imo, quando encarrilhou-se no trilho, focou em um só destino, e foi ao encontro do seu sentido. E não só encontrou, como sentiu, o amor próprio o designou e dali em diante partiu, feito peregrino em busca da sua terra e mesmo com tantos conflitos em meio a sua guerra interna, não cruzou os braços, dantes saiu a lutar, e cada vez mais fez-se laço, com o seu ser estelar. A sensação era de dever cumprido e isto deixava-o transbordando, era própria candeia em brilho, era luz em troca de planos.

 

Por Patrícia Campos