Um dope sinistro
Cabresto envolvido
Noite, martírio
Fim de um lírico

Um poeta ignorado
Sua luz parece não fazer falta
Diante tal grandeza imensurável
Fecharam-no na cara a porta

Dizem eles: vá embora, vá embora
Não souberam avaliar a sabedoria
Claro, são almas frias, vaidosas
Não calculistas, apenas frias

Não calculam friamente
Por que se isto fizerem, não sobra semente
Que brote, que voe livremente
Apenas secas sementes

Quiçá morressem
Para que renascessem
O mortificar o eu doente
Seria o abortar do que corrói a mente

Sentiriam-se livres
Abririam suas celas
O verdadeiro sábio redime-se
O orgulho lhe é quimera

Suas doses diárias
São obras literárias
Sua biografia é falha
E não há quem queira conta-la

Precisaria amor
Para que alguém lhe sentisse
Mas o que têm é rancor
E um mar que se chama triste

Ó símplices voltem-se
Voltem-se à simplicidade
A alusão existe
Para aquele que não ama a verdade

Porque ela dói
Mas liberta
O contrário é o que realmente destrói
E nenhuma mentira eternamente ficará encoberta

Por Patricia C.