Meu coração derreteu
Diante a sensibilidade
Água do céu desceu
Em gotículas de verdade

É preciso ter um coração sensível
Para compreender a linguagem divina
Detalhe perceptível
Que a cada estrofe enaltece a vida em rima

Todos estão aqui
Mas ninguém aprendeu a amar
O tolo ouve por ouvir
Mas no interno nunca esteve a mergulhar

O verdadeiro ouvir é penetrante
Faz metamorfosear
Transforma em borboleta elegante
Quem almeja asas pra voar

Mas se andares com olhar desfalecido
Como quem procura algo neste chão
Terás eternamente um coração embrutecido
E jamais serás da eterna música o refrão

Deixe essa água te lavar
Até que fique cristalina
Ó alma adentre este mar
Infiltre-se nas ondas da sabedoria

Sinta a brisa do Sul
No tocar da sua face
Olhe este céu azul
E as nuvens claras que a ele faz enlace

Coisas tão pequeninas
Diante tamanha grandeza
E seu olhar não percebe as entrelinhas
As minúcias da natureza

E no interno o teu inverno
Que não muda de estação
Se quiseres ser eterno
Hiberne o teu coração

Até que ele possa sentir
Como e quanto é bom acalorar-se
E quem sabe ainda possa existir
A oportunidade de mudar-se

Por Patricia Campos