Isolado
No meio da multidão
Em solitude calado
Riscam marcas no coração

Quer calar suas vozes
Traumas de amargura
Inimigos ferozes
No âmago há ditadura

Trancado no próprio eu
Sua solitária
No profundo do seu breu
Sua história lendária

Não há completude
Apenas um vazio que consome
Ritmo da inquietude
Agonia era seu codinome

Seu silêncio gritava
Não havia quem o escutasse
E a sua mente forjava
O cálcio que escancara inverdades

Buscava companhia
Mas não tinha a si mesmo
A noite, o pingar alivia
Mas jamais cura seus medos

É apenas uma fuga
O esconderijo de tolo
Em sua treva oculta
Originação do seu dolo

Era uma questão de estado
De mudar sua situação
Deixar de ser exilado
Causar uma comoção

Preencher-se de sol
Trazer melanina à alma
Viver como girassol
Ser cais e atracar-se à calma

Sair deste paradoxo
Ir ao encontro da vida
Desistir deste mundo tóxico
Vencer com sabedoria

Por Patricia Campos