Pintei-me de verde
Quis fazer-me campo
Mesmo que em mar derramei-me por vezes
No imo havia um sonho

Sempre há uma pontinha de esperança
Um desejo de alçar temperança
Como era bom ser criança
Sinto falta da minha infância

Meu olhar era puro
Brincar era meu rumo
Agora, aqui em cima do muro
Vejo meu lado obscuro

Sofro só
Tenho dó
Na garganta um nó
Tudo por causa do pó

O qual um dia cai
E o amor se esvai
Nem mesmo o tempo atrai
E nós mesmos é quem nos trai

A reversão é interna
E pela luz reverbera
A sabedoria eterna
Derruba em nós toda a guerra

Nos ensina a esperar
Com paciência transformar
Em rio, aquilo que era mar
E aprendemos então a hermenêutica de amar

Cresce a expectativa
O florescimento na alma
O brotar nos traz alegria
Exalamos o aroma da calma

Meu túnel sem final
Iluminando minha sina
O trem da vida é real
Para aquele que encontra a saída

Sente-se passageiro
Assentado em calmaria
O amor quando verdadeiro
Compreende qualquer ventania

 

Por Patricia Campos