Ó desfalecido coração
Porque puseste-se neste leito amargo?
Meu sangue pingando ilusão
E meus olhos em mar encharcado

Sabia estar doente
Mas eram tantas as minhas doenças
Meus atos inconsequentes
Demonstravam minha falha em destreza

É preciso querer curar-se
Admitir sua fraqueza
O prognóstico mostra em qual fase
Encontra-se o grau da doença

Há inflamação
E a dor é insuportável
A verdade na injeção
É remédio indispensável

Ninguém gosta de saber de si mesmo
A situação é complicada
Desfribilar-se no imo, lá dentro
Com voltagem redobrada

Até que acorde para a vida
Antes que durma no pó
Limparei minhas feridas
Para não enlaçar-me em nós

Há de ter evolução
Até que venha o cicatrizar
Seguir a orientação
E saber de fato amar

Levantarei minhas asas
Como fazem as borboletas
Metamorfose em minh’alma
Mantenha-se acesa ó candeia

Sentir-me forte
Sou eu quem faço meu estado
Não me preocuparei com os cortes
Eles farão parte do meu passado

Então sentirei na pele
O que é de fato a cura
Em alva minha alma tece
Ao remediar-se em candura

Por Patricia C.