Abrir-se em amor
Arrancar a dor
Um dia sofredor
No outro virou condor

Voa,
Seja livre
Mesmo que doa
Nada que é pó persiste

Deixe que vire cinzas
Para colorir-se
Basta mudar o clima
Para sua flor abrir-se

E assim persista
Este é o caminho
Não desista
Em toda flor há espinhos

Mas podem ser arrancados
Até que parem de sangrar
No espaço fica um buraco
Regenera-se, até que o tempo faça sarar

A condolência é sinal
Que há escandescência
Se resistires até o final
Preencherás de luminescência

Salga o externo
A água que vem do interno
Dissipa todo o inverno
E transforma o imo terno

Enquanto giram os ponteiros
Aparecem as cicatrizes
A alma abriga-se em conselhos
E reage em novas diretrizes

Busca novo horizonte
Eleva-se a alto monte
Decifra-se como ponte
Espelha-se feito fonte

Um arsenal guardado
Dentro do seu profundo
Um tesouro encontrado
Longe dos olhos do mundo

Por Patricia Campos