Era apenas um olhar
Que abraçava
Que acalentava
Parecia mesmo morada
Daquelas com rede na árvore
Varanda aberta
Onde o teto são as estrelas
E o segurar à mão
Era como se pusesse em relicário o coração
Guardado, feito estimação
Na música é o refrão
É empatia espelhada
Sentida
Onde a fala falta
Mas as vozes são bem expressivas
É tão bom sentir a expressão do amor
É como arrancar o espinho da flor
Não faz parte de nós qualquer dor
Necessário é pintar-nos em cor
Cores vivas
Resplandecentes no olhar
Transbordar aquarela infinda
Um regador à regar
O amor compreende
A ponto de interpretar
Enlaça, é envolvente
E chega para confortar
Não passa a mão na cabeça
Repreende por tanto amar
Só quer que reconheça
Que é preciso recomeçar
Voltar ao início
Do ponto de onde errou
Antes do precipício
Há um campo verde de amor
Esperançoso
Onde o silêncio ensina
Um imo harmonioso
Cheio de amor e rima

Patricia Campos