Talvez quisesse dormir
Para nunca mais acordar
Quem sabe um novo porvir
Nova história poderás contar

Cai a noite
E a tristeza vem
Um encontro
O qual não convém

Inconveniente, não vai embora
E a ansiedade abre a porta
Assenta-se sem demora
Parece não haver hora

Os ponteiros passeiam em círculos
Parecem dar muitas voltas
E a alma afinco em risco
Na mente, jogam conversa fora

A noite é mesmo uma criança?
Só se for perdida, órfã
Na aurora busca a esperança
Falta expectativa, então chora

Vencida pelo cansaço
Une as pálpebras por curto tempo
A rotina a acorda em estilhaço
Levanta e segue carregada pelo vento

Parece não ter fim
Mas não termina aí
Há persistência ruim
Um caos do começo ao fim

Sonha acordada
Queria descansar sua alma
Tudo o que mais lhe falta
É no imo manter-se calma

Seria viável descobrir-se
Reconhecer-se cais
Desvencilhar-se do que é triste
Fazer-se remanso em paz

O amor mora dentro
É preciso desbravá-lo
Somente o conhecimento
Traz sono leve em leito afável

Não há para onde correr
Portanto, adentre-se
Busque o que lhe faz vencer
No autor da vida, concentre-se

Patricia C.