Pés no raso
Não invado-me
Peito farto
Onde encaixo-me?

O desejo de mergulhar-me
Era como refltetir a lua
O medo de adentrar-me
Deixava-me completamente nua

Onde estão minhas vestes
Qual é a minha identidade?
Encontro-me como as reses
Sem o poder da liberdade

Então olhei ao meu mar
E o receio vinha-me à boca
Um snorkel para respirar
E neoprene como minha roupa

Para não queimar-me com os corais
E manter minha temperatura
Semisseca para a água penetrar-me
Na intenção de tornar-me candura

Uma faca na bainha
Para arrancar as raízes das algas
Ceifar toda erva daninha
Aproximar-me em ser alma

Mergulhar nas profundezas
Nos escombros do meu mar morto
Lastros de forma perfeita
E o colete do equilíbrio como reforço

E mesmo encontrando-me com meus traumas
Diante os abissais de minh’alma
Mantive serenidade e calma
Trazendo a paz na minha palma

Provei a mim mesma o amor
Na tentativa de tornar-me melhor
Antes do sol se pôr
Tire tudo de si que é atroz

Um verdadeiro guerreiro marinho
Desbrava em suas próprias águas
Transformando-se em mar límpido
Ao amputar de si suas falhas

Por Patricia C.