Havia profundidade
Porém, não desbravada
Água nem meio a metade
E o pouco que tinha sujava

Faltava-lhe confiança
Mergulhar-se sem medo
Quiçá houvesse esperança
E apressar-se contra o tempo

Se isto não fizesse
Afogaria-se em seu raso
Reverteria, se o quisesse
Até transbordar-se em mar vasto

Sem temer suas ondas
Sem temer as tempestades
Um bom mergulhador encontra
Em si, diversas preciosidades

Não trata-se de brincar com as águas
Mas as ter com seriedade
São elas que lavam as almas
Que amam amar a verdade

Puro remanso
Encontro dos gansos
Aos quatro cantos
Ecoa-se o som do céu em canto

São as melodias dos pássaros
Os quais equalizam-se em afinação
Portanto não sejas raso
Trata-se de interpretação

Assim são os poetas
Interpretadores de sentimentos
Conseguem enxergar na guerra
O amor por entendimento

Adentram pelas janelas
E a percepção faz tocar
Palavras despertam quimeras
E o verdadeiro valor vem mostrar

Experimente uma imersão
Na intenção de encontrar-se
Pérola coração
Oceano a eternizar-se

Patricia C.