Mãos de penas, lábios de mel, a voz que traz a garoa, molha o imo com água do céu. O olhar sinaliza paz, quer doar-se, divisão em partes iguais. Livro aberto, traz à capa sua face com letras ornamentais. Ecoa e entoa o sinalar, a direção que segue a proa. É a brisa que faz tocar, é asa da alma que voa.
É a trombeta tocada por Deus, querendo suscitar o filho que ainda não nasceu. Enxerga o abismo e ouve os passos em seu sentido, emite o grito na tentativa de vencer o inimigo. Mas os transeuntes passam de largo, sequer percebem toda sua movimentação. Continuam sendo o alvo do dardo, entre a dor e a destruição. Sofre AVC, seu lado direito imóvel, a cura seria o compreender, até que saia deste estado mórbido. Despediram o amor e fizeram acordo com a guerra, o próximo ficou sem valor, são filhos perdidos nesta Terra. Mas as mãos continuam seus trabalhos, e a boca não cessa em adoçar, em busca de imos castos à quem queira reverberar. O não já temos, lutamos pelo sim, até aqui viemos, não desistiremos enquanto não chegar o fim. É preciso evidenciar o segmento que leva à vida, é preciso metaforear, voar com a sabedoria. O literal não é compreendido, falta destreza aos olhos, o entendimento é submetido ao desejo do seu opróbrio. Fizeram-se mesquinhos e individuais, cada um em seu caminho, tornando-os desiguais, na busca de um destino. Mas as mãos continuam trabalhando, e a boca na tentativa de elucidar, mesmo que seus pés sangrem, o sábio não deixa de amar.

Por Patricia C.