Perdeu-se
Em si, em algum lugar
Procurou-se
Mas não conseguiu encontrar-se

Perdeu a valia
A dignidade
Na verdade não sabia
Onde estava a alacridade

Então correu
Entre os valados obscuros
Lugar que o corrompeu
Deixando seus ouvidos surdos

Sem referência
Dentro de um olhar vazio
Faltou a essência
A fortaleza do seu alcantil

Um deserto sem oásis
Uma botija sem água
Não ligam as suas frases
Seus versos são sem metáfora

Vagueando sem rumo
Pula dentre os ponteiros
Seu interno ilúcido
É a marca do seu desespero

Não há o tempo
Para quem deseja ser
É como sentir o vento
E acreditar que irá viver

Fechar os olhos sem medo
Mergulhar em seu universo
O astronauta do desejo
De transforma-se no eterno

O tempo em si não existe
E a morte cruza o caminho
Mas aquele que não desiste
Cruza a linha do infinito

Por Patricia Campos