Destemperada
Sem medida pra nada
Embriagada
Cambaleava na estrada

Uma estrada vazia
Cansada, minha tez escorria
Em pele e osso eu sofria
Minha própria dramaturgia

Minh’alma roncava
Era a fome de sabedoria
De migalhas me alimentava
E ela continuava vazia

Uma ilusão aqui
Outra ilusão ali
Degraus de onde desci
Parecia eu não existir

Suicidava-me aos poucos
Minha loucura e meu manicômio
Esperança era pseudônimo
Como flashes que vinham em meus prantos

Um desafio ao céu
Tentar rasgar o meu véu
Precisava de um pincel
Nova história, novo papel

Colorir-me de vida
Tons que esquentassem meu imo
Mudar toda minha rima
Trajetar novo destino

Derrubar o desatino
Implantar a coerência
Trocar o meu vestido
Pôr-me em leveza da seda

E foi assim que aconteceu
O bem, mais uma vez venceu
Dissipou de mim todo o breu
Sua luz infinda me acendeu

Transbordou-me em vigor
Ganhei pétalas de amor
Trouxe-me sua cor
O girassol e o beija flor

Por Patricia C.