Ouço gritos, eles transpassam as janelas, um povo desfalecido, vencidos por suas guerras. Seus vidros sem brilho, pedem socorro sem som, o medo tornou-se incontido, e à boca há dor por detrás do batom. Maquiaram-se, seus disfarces. Mascararam-se, ou são suas faces?
Um silêncio que grita, perfurando o tímpano, suas mãos aflitas, e um sorriso cínico. Quem lhe acredita? Na tez uma marca escorrida, e não é tinta, é tristeza infinda, com gosto de mar, os pés na areia parecem e vão afundar, sem tempo para pensar…
E o peito que não quer calar!
Eu caminho entre feridos, são só corações perdidos, mendigos, ouço seus gemidos. Quiçá buscassem sentido… Foram invadidos, pelo ódio, pelo medo e pelo rancor. Às migalhas são submetidos, bulimia é falta de amor. Ah! O amor, eu lamento, à sua falta os deixaram loucos, em suma eis os tormentos. Ocuparam-se com suas vaidades, deram cabo a alacridade, adeus a liberdade, e agora parece ser tarde…
De que vale gritar suas almas, se não há mais o que fazer? Tudo esteve as claras, mas preferiu se corromper.
Ouço o gritar das almas, dentro de suas solitárias, buscaram dinheiro e não calma, e agora nesta condição precária. Só há uma maneira de coibir sua frustração, transformar-se em alma candeia, mudar o seu coração, aquecer-se pela centelha. Agarrar-se aos bens eternos, os quais a sabedoria nos dá, mergulhando-se no interno, até que a possam encontrar.
Só assim cessarão seus gritos, tornando-se porto de paz, reluzindo-se em brilho, um farol em meio ao seu cais.

Patricia C.