Pés na areia, olhar ao horizonte, a liberdade permeia, e os pensamentos elevam-se em meu monte. Águas que mergulharam meus membros inferiores, as quais encorajavam-me à submersão de amores. Segurei a respiração e adentrei-me, aprofundei-me em sensação até sentir-me mar. Águas infindas, salgaram-me para salvar-me. Ondas infinitas, limpem este meu mar! Renova meu imo toda vez que se desfaz, toca o pó e molha meus cílios, mas logo volta adentrar-me. Em alto mar mergulhei, em meu oceano infinito, vi parte de mim em lume e outra parte em azul marinho. No interno espelhei o céu, e vi o sol aquecer-me, vi também arranha céus desenhando o fenecer.
Um dia não tão distante, anoiteci, e meu oceano tornou-se camaleão, cor unificada em mim, em azul marinho pintou minha imensidão. Voltei à minha estrela mar, com sua beleza inesgotável, queimou minha pele até sangrar, mas curou-me em amor incontável. Abrilhantou meu interno, junto às algas marinhas, fotossíntese no meu eterno, meu oxigênio entre linhas…
Descobri alguns segredos, que meu oceano escondia, raízes turvas, dores e medos, mas também vi calmaria. Tratando-se do infinito há muito a desvendar, um azul royal incontido são as águas deste meu mar.
O infinito do oceano estava todo em mim, meu mar que molhou-me em sonho, meu desejo de não ter fim.

Por Patricia C.