Era Alice
No país sem maravilhas
Seu mundo era “Tolice”
Montanhas de fantasias

Ali ela era feliz
Ou ao menos interpretava
Inventava os seus civis
E todos a ela amavam

Parecia um mundo de sonhos
Mas era um universo de ilusão
Detalhes e cada ponto
Afastavam-na da imensidão

A imensidão de amor
A imensidão do saber
Mas não a imensidão da dor
E ainda viria o seu perecer

Acorda Alice, acorda!
Seu mundo lhe deixa triste
Dele um dia irás embora
E a alma nua não resiste
Não resiste, não existe!

Assim era o mundo dela
Acinzentado, sem aquarela
Vivendo só de quimeras
Trancafiada em cela

A realidade lhe trazia sal à boca
Ó pequena cisterna rota
Qualquer alegria era pouca
Quem dera retesse ao menos as águas da garoa

Confundia-se com a Cinderela
Por vezes com a branca de neve
Em sua carruagem bela
Comia maçã que de morte lhe tece

Assim era o mundo dela
Acinzentado, sem aquarela
Vivendo só de quimeras
Trancafiada em cela

Quiçá pudesse libertar-se
E por os seus pés no chão
Que de fato pudesse encontrar-se
Deixando sóbrio o seu coração

Por Patricia Campos