Senti-me pequena
Um grão de areia
Vi o esvanecer
E o mal que permeia
Pedi força ao céu
Pisei o meu véu
As boas palavras não resumem-se em papel
E jamais são ditas ao léu
São sentidas, são profundas
Por vezes causam feridas, mas muitas são doses de curas
Quero curar-me
Posso curar-me
Clamei por destreza e pelo poder
Tudo posso, mas nem tudo devo
Tudo posso ver, mas nem tudo vejo
E há aquilo que ainda não sei,
Não ouvi, não senti
Mas sei que posso seguir
Uma coisa eu aprendi
Há uma força em mim
E seu poder é sem fim
Devo abrir-me ao amor
Mesmo tudo não sendo flor
O compreender transforma
Renova
Traz o estado de calma
É feito água que lava, que limpa
Transborda em dom
Traz o tom
E assim nasce a poesia, suscitando o poeta
Vence os medos
Engrandece a coragem
Não contenta-se com lampejos
Valoriza a sua bagagem
Sabe que pode ser estrela
E lumiar sua cidade
Esqueça seu eu areia
E acenda-se pela verdade

Patricia C.