Porque escureceste ó alma
À pouco o sol lhe encontrara lá fora
Seus raios a atingiram outrora
Ficaram só as lembranças, e agora?

Tanto brincou em seu quintal
Enquanto o dia era dia
As roupas dançavam no varal
Lhe restando um pouco de alegria

Cresceste,
Mas esqueceu-se de caminhar
Envaideceu-se
Estagnou-se no mesmo lugar

Desdenhou de todo o cenário
Desapercebeu-se das nuvens
Das flores, dos pássaros
Que dirá das coloridas penugens

Das árvores, do céu e do campo vasto
Do sorriso que causava-lhe o lume
Ó coração ingrato
Perdeu-se toda allure

O ego dominou o teu ser
E assim foi seu anoitecer
Devagarinho à enfraquecer
Puseste tudo a perder

O que fizeste com a vida ó alma,
Porque não adentrou sua casa?
Lavar-se-ia nas águas
Até pôr os seus pés em calma

Preferiu sujá-los lá fora
Com o pó que o cercara
Eis o dia que acabou a aurora
E com ela o cravar da espada

Agora veio seu prantear
Mas não há quem possa escutar
Afogou-se nas ondas do mar
Cessou-se o tempo de metamorfosear

Não és mais lagarta
Nem sentira o gosto da sopa
Fez-se cortiça em meio ao nada
Triste, vazia e sem roupa

Patricia C.