Meu mar em vidro
Águas que escorrem
Ao som de um soluço sentido
E na alma há marcas e cortes

Cicatrizes que o tempo deixou
Por dores que eu mesma busquei
Rasguei-me por falta de amor
Quantas noites eu chorei

Umedeci meu olhar
A tristeza tentou apagar-me
Sonhei que iria voar
Quiçá pudesse libertar-me

Senti gotejar em meu interno
Eram as águas que o céu enviou-me
Expeli por minha íris meu inverno
A neve que por muito congelou-me

Foi bom
Como é bom aliviar-se
Chorar para um sábio é dom
Não importei em afogar-me

Mergulhei em meu prantear
Mas depois eu emergi
Alacridade trouxe ao meu lar
Depois que deixei minha dor partir

Não salgarei-me em mar de angústias
Que o lacrimejar transmita felicidade
A emoção vem, quando vence a luta
Quero transpirar suavidade

Ó olhos de lágrimas
Não quero vê-los mais derramar
Suas águas são salgadas
E fazem meu imo queimar

Levantar-me-ei deste chão
E não acharei ocasião
Desvendar-me-ei em imensidão
Trarei asas ao meu coração

Que saia a voar
Longe das águas deste meu mar
Ao infinito irei-me lançar
E assim aprenderei me amar

Por Patricia Campos