Deparou-se a tal vulneração, quando o tocar do pó trouxe-lhe dor. Viu-se sem chão, sem base, e o peito valorizou o que dantes era despercebido. Olhou para trás e viu mesquinharia, seu tropeço era a vaidade. Sentou-se, fraca, não por doença sentida, mas pela infecção vivida. Era o vírus instalado de forma sutil, parecia inofensivo. Há um momento em que se reflete e se vê tão pequeno, como que nada existisse ao redor ou que não tivesse valor de ser. E ao fechar os olhos consegue perceber o valor do que nunca foi sentido. Não há maior dor à que um peito contrito, entristecido pelo erro, arrependido. Não há nada que tenha mais valor que a vida. Quem se foi daria tudo para tê-la de volta, não para que ficasse eternamente neste lugar finito, mas dar-se-ia a oportunidade de transpor à alma ao plano que é infindo. Perder-se no tempo, nunca mais o trará de volta, desvencilhar do contratempo e então abrir sua porta. Escancarar-se à entrada da vida, dando indícios ao recomeçar. Poder olhar os passarinhos e junto deles cantar. Sentir a liberdade e não temer nem a morte, enlaçar-se a verdade, ser um coração nobre. Um dia este estado não mais subsistirá, e quando voltamos-nos ao interno aprendemos a nos amar. Não há valor estimado à luz que brilha o nosso olhar, o momento é de confinarmos até que a liberdade nos ensine como voar.

Por Patricia C.