É na simplicidade que mora a sabedoria
Sem pompa, sem soberba
Quem possui sapiência tem alegria
E não deixa sua alma enferma

Doente de experiência
Onde passa longe o saber
É preciso ter luminescência
Até que sua luz venha transparecer

O enriquecer não é feito de notas
Mas o olhar singelo é tesouro precioso
Enquanto o mundo dá voltas
No bom imo aprofunda-se o douto

O qual é cristalino
Sem preocupar-se com as letras
Ingênuo e acessível
Apenas uma faceta

Sente-se igual
Não somente na expressão
Empatia lhe é natural
E zela por seu coração

A sabedoria é uma graça
E só a têm os que descomplicam
Os ditos sábios do mundo são em massa
Mas nenhum tem o olhar clínico

A ponto de enxergar os próprios erros
E curar-se da tolice
E é por isto que escondem-se em seus medos
E mergulham em um conhecimento que não subsiste

O qual um dia fenece
E esvanecido ficará no esquecimento
Da verdadeira sabedoria tece
Só os humildes de pensamentos

Que adentram uma linha
Num raciocínio elevado
Onde o amor tilinta
Até no sonido dos pássaros

E tudo o que vê quando une suas pálpebras
É o voo do entendimento
Passeando no infinito de sua própria casa
No interno, lar eterno do conhecimento

E então enxerga-se luzerna
Em meio a respectiva imensidão
E percebe que sua caverna
Não passa de uma mera ilusão

Por Patricia C.