Por vezes doem
Destroem
Corroem, e ainda assim permanecem
Um coração que falece
Pode também aflorar
Fazer a alma viajar
É empatia escancarada
No peito alojada
Vira mar, por amar
Faz o pensamento voar
Sonha com a liberdade
Quer ir de encontro a verdade
Os sentimentos não se explicam
Apenas se aplicam
Por atos, olhares
Perto ou distante
Sente-se a todo instante
Quem sente a vida?
Quem busca a saída?
Flutuam em meio a cinzas
Dando o adeus da despedida
Triste sina sentida
Vem a hora da partida
E então encontrar-se-á de fato partida
Ao meio, sem nunca ter-se achado inteiro
Sentiu-se só, sorrateiro
E um grande vazio por ter sido desfeito
Outrora a vida sentiu
Com desdém a repeliu
A falta de amor fez-lhe frio
O calor do seu sol não sentiu
E o frio do inverno a cobriu
Foi por isto que não sentiu

Por Patricia Campos