E saiu a semear, sem acepção de terras, a vida a cantarolar a melodia que esvanece as trevas. Espalhava a semente, por todo lugar que passava, pequeno grão incandescente, a flor da nova alvorada. Trazia o orvalho à boca, e regava os imos puros, uma fala leve e solta, que aos bons ouvidos adentravam como sussurro. E as terras que absorviam sua água, aos poucos embebeciam-se de paz, a tranquilidade habitava à alma, e o seu coração encontrava o cais.

Era sereno aos mansos e tempestade aos desobedientes, a cada sonido de pranto, nascia um coração inteligente. Trazia o arrependimento, e sequencialmente a alegria, um âmago em contristamento, renova e eleva a alforria. E era assim que semeava, com a pureza do transformar, saía a distribuir asas, para todos que queriam voar. Dividindo as suas sementes aos bicos dos passarinhos, para que brotassem repentinamente nos campos, flores mais belas que os lírios, lugar onde a paz é enaltecida e a serenidade é amada, onde tudo que se vê é vida e a sua descendência não é contada.

Por Patricia Campos