Em liquido escorria flagelos, trazendo peso aos ombros e cansaço aos pés, destilando azedume do seu próprio resto, e ao fechar seus olhos boiava em igarapé. No interno deseja ser leve feito pena, levar um sorriso sincero, mas esta não era a verdadeira cena, e cada vez mais fechava-se em seu interno. Onde chegava a tristeza pairava e ali ficava, horas estagnada, transbordando o desencorajamento, faltando até com respeito, por falta de discernimento. A cada palavra que proferia eram potes de vinagre derramados em cada ferida, por isto não havia o fim da sangria, mantendo-se enferma toda e qualquer alma que ali existia.

E assim ardia em dor, suplicando por um bálsamo, mas como dividir amor, se tudo o que olha há visão de fracasso? Não tinha forças para sair do seu estado mórbido, suas íris escurecidas refrescavam-se em nevoeiros fúnebres, maldito “amor”, sórdido, num tempo fechado, lúgubre.

Não há o que ser feito a não ser que mude seu estado, seu sujeito, esvaziar seus potes fermentados de um vinho amargurado. Ó coração, permita-se sair de sua submersa frustração, não deixe-se assim tão para baixo, seja água clara de riacho, há uma imensidão do bem a desbravar, encoraja-se e saia a encorajar. Não perca o ânimo, contudo acredite em si, a mudança é possível àquele que ama, o qual não desiste em prosseguir.

 

Por Patricia Campos