Eram tantas as almas doentes, que não haviam leitos suficientes, tantos corações descrentes, e a morte vindo lentamente. O fim aproximava-se, cada um lia-se, por suas trajetórias enjauladas, não havia quem as libertasse. Já era tarde para dor, já não havia mais lugar para o pranto, nem mais tempo para o amor, ninguém mais ouvia o canto. Um prognóstico triste, onde a luz ali não incide, a ilusão ainda insiste, e aos doentes agride. Não buscaram a cura, não guardaram-se em confinamento, o vírus da carne inunda, corroe suas almas por dentro. Era de se esperar, não tomaram as doses de amor, não há mais como salvar, disfarçam, mas sentem pavor. Por suas narinas exalam, o cheiro suave das rosas, as carpideiras se calam, diante tal situação desastrosa. Antecipadamente sabemos o que ocorrerá, repentinamente, de súbito irão apagar, se apagarão para quem ficou, e adentrarão o breu que tanto buscou, porém lembrar-se-ão de tudo o que aqui passou, dos muitos sonhos que sonhou, dos que realizou e os que não e se frustrou. Haverá tempo de sobra, eterno em dor, verão que viveram de esmola e não deram valor, ao senhor da vida que os sustentavam, enquanto o desvalorizavam.
É bem triste o prognóstico das almas que discorrem sem rumo e sem freio, que não atentam-se que ali à frente cruzarão o caminho da morte e quando vêem, mesmo assim vivem desatentos. Só poderiam mudar seus destinos, se mudassem a direção, o caminho da carne nos leva ao vazio, abismo de eterna escuridão, ao contrário, se encontrassem o seu tino, que é o espírito da vida que está dentro de ti, o céu os aguardaria soando seus sinos, e lá adentrarias com vida em uma linda história sem fim.

Por Patricia C.