Ao selar minhas pestanas
Viajo em meu universo
Meus pensamentos com asas
Fez-me voar no profundo do interno

Descobri tesouros
Onde um deles foi o mapa
A minha mina de ouro
E o portal da próxima etapa

Logo eu
Que era tão avoada
Em meu breu
Acendeu o crepúsculo, a minha alvorada

A paz sorriu-me
E a tristeza deu-me adeus
O meu sol abriu-me
E o que era inverno derreteu

Fui tocada pelo céu
De forma inimaginável
Sua água desbotou meu véu
Minha sede tornou-se infindável

Vi-me fonte
Onde minhas águas são puras
Vi-me ponte
Do chão transpassar às alturas

Logo eu
Que era tão avoada
Em meu breu
Acendeu o crepúsculo, a minha alvorada

Não fui escolhida
Me escolhi
Sou a terra prometida
Ao filho que está em mim

Precisei reverter
Tudo o que não estava bom
Ainda estou a vencer
Mas persistir é meu dom

E quando fecho meus olhos
Sinto-me em outro lugar
Levito, não sinto meus ossos
Sou borboleta a voar

Por Patricia Campos